Texto Áureo
“Mas
Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos
amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou
juntamente com Cristo […].” (Ef 2.4,5)
VERDADE PRÁTICA
Por
meio da maravilhosa graça divina fomos libertos do pecado, perdoados e
salvos da condenação e, ainda, recebemos o direito à vida eterna.
LEITURA DIÁRIA
Segunda – Rm 3.21-23Todos pecaram e encontravam-se longe de Deus
Terça – Is 59.1,2Os pecados nos afastam de Deus e impedem as nossas orações
Quarta – Tg 1.15A consequência do pecado é a morte
Quinta – Rm 11.30-32A compaixão divina alcança toda a humanidade
Sexta – Rm 3.24-26Fomos alcançados pelo favor imerecido de nosso Deus
Sábado – Mt 5.13-16Resgatados por Cristo, devemos ser sal da terra e luz do mundo
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Efésios 2.1-10
1 – E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
2 – em que, noutro
tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das
potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da
desobediência;
3 – entre os quais
todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a
vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da
ira, como os outros também.
4 – Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
5 – estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
6 – e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
7 – para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
8 – Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.
9 – Não vem das obras, para que ninguém se glorie.
10 – Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
HINOS SUGERIDOS: 117, 291, 351 da Harpa Cristã
OBJETIVO GERAL
Revelar que a graça salvadora de Cristo nos garante a vida eterna.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os
objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus
respectivos subtópicos.
I – Refletir sobre nossa natureza pecaminosa;
II – Explicar que fomos vivificados pela graça de Deus;
III – Informar que nossa salvação vem de Deus e não das obras.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A
Palavra de Deus revela que formos libertos do pecado por meio da
maravilhosa graça divina. Por ela, fomos perdoados e salvos da
condenação eterna. Assim, em Cristo Jesus, recebemos o direito à vida
eterna. Na presente lição, você deve mostrar os relevantes aspectos
doutrinários que estão revelados em Efésios 2.1-10. Nessa seção da
epístola, o apóstolo Paulo amplia o conceito de libertação do pecado
descrevendo-o como um favor imerecido dado por Deus aos salvos a fim de
que a nova criatura em Jesus desfrute de uma nova vida com o Salvador.
INTRODUÇÃO
A presente seção da
Epístola aos Efésios apresenta relevantes aspectos doutrinários da
salvação (2.1-10). Nela, o apóstolo descreve a libertação dos pecados
como um favor imerecido dado por Deus aos salvos, a fim de que eles
desfrutassem de uma nova vida em Cristo.
PONTO CENTRAL
A graça salvadora de Cristo nos garante a vida eterna.
I – A ANTIGA NATUREZA MORTA EM OFENSAS E PECADOS
No início da
Epístola, o apóstolo Paulo lembra que antes da regeneração estávamos
mortos em ofensas, pecados e éramos por natureza “filhos da ira”
(2.1-3).
1. Nossa condição anterior. “E
vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” diz o primeiro
versículo. A palavra “ofensa”, do grego paraptoma, tem o sentido de
“passo em falso de forma deliberada”. O termo para pecado é “hamartia”, o
qual descreve como “aquele que erra o alvo”. Em vista disso, o homem em
sua natureza decaída é diagnosticado como “morto” (2.1), ou seja, uma
declaração da real condição das pessoas sem Deus. O conceito é de morte
moral e espiritual provocada pelo pecado, que inevitavelmente separa o
homem de Deus (Is 59.2; Tg 1.15). Tal qual um corpo inerte, a natureza
pecaminosa impede o homem de ouvir e obedecer à voz de Deus. Quem assim
vive está morto enquanto “vive” (1 Tm 5.6).
2. Nossas ofensas e pecados. A
má conduta “em que, noutro tempo, andastes” é descrita por Paulo por
meio da metáfora do ato de “andar” (2.2a). Refere-se às atitudes erradas
adotadas na vida passada do salvo antes da regeneração:
2.1. “Andastes, segundo o curso deste mundo” (2.2b).
Os costumes eram
praticados conforme o sistema mundano da época, tais como: a
imoralidade, o furto e a mentira (4.22-32). Uma constatação de que o
salvo não deve tomar a forma do mundo, relativizar o pecado e muito
menos ajustar-se à maneira de viver de seu tempo (Rm 12.2).
2.2. “Andastes,
[…] segundo o príncipe da potestade do ar” (2.2c). Uma alusão a Satanás
que exerce autoridade sobre os poderes do mal (Jo 12.31). Indica que os
agentes malignos têm a capacidade de influenciar os homens
desobedientes e incrédulos (2 Co 4.4). Mais adiante na Carta, Paulo
alerta que a nossa luta é contra tais seres do mal (6.12). Contudo, não é
necessário temer, pois Deus exaltou Cristo acima de todos eles (1.21).
Deus não se mostra apenas misericordioso, mas “abundante em misericórdia”.
2.3. “Andávamos fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (2.3).
Refere-se à
inclinação para fazer o mal, algo inerente à natureza humana (Gn 6.5).
Estão incluídos aqui os pensamentos pervertidos e a prática de todos os
desejos desordenados da carne. Como resultado, éramos “filhos da ira”,
isto é, condenados e desprovidos do favor divino. Paulo sublinha que
essa era a nossa condição (4.18). Entretanto, aprouve ao Pai nos eleger e
nos predestinar para “filhos de adoção” (1.5).
SÍNTESE DO TÓPICO I
A nossa condição diante de Deus era caótica, éramos escravos e estávamos condenados à perdição e morte eterna.
SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Ao
expor este tópico, faça uma reflexão a respeito da necessidade do novo
nascimento como substituição à velha natureza. Para isso, tome por base o
seguinte fragmento textual: “O pecado não consiste apenas de ações
isoladas, mas também é uma realidade, ou natureza, dentro da pessoa (ver
Ef 2.3). O pecado, como natureza, indica a ‘sede’ ou a sua
‘localização’ no interior da pessoa, como a origem imediata dos pecados.
Inversamente, é visto na necessidade do novo nascimento, de uma nova
natureza a substituir a velha, pecaminosa (Jo 3.3-7; At 3.19; 1 Pe
1.23). Esse fato é revelado na ideia de que regeneração só pode
acontecer de fora para dentro da pessoa (Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26,27;
37.1-14; 1 Pe 1.3)” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma
Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.286).
II – VIVIFICADOS PELA GRAÇA
Por ato de bondade e
misericórdia, estando nós ainda mortos em pecados, Deus imensamente nos
amou e, por isso, nos vivificou por meio de sua graça.
1. Alcançados pela misericórdia e pelo amor divino. Após
constatar a situação da humanidade “sob a ira de Deus” (2.3), Paulo
passa a descrever os atos divinos de amor e de misericórdia que
alteraram o quadro caótico da raça humana. Começando com uma conjunção
adversativa, o apóstolo declara exultante: “Mas Deus, que é riquíssimo
em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou” (2.4). O ato de
misericórdia implica compaixão e simpatia para com os indignos (Rm
11.30-32). A Carta aos Efésios ensina que, ao prover à humanidade o meio
de escape da merecida ira (cf.1.7), Deus não se mostra apenas
misericordioso, mas “abundante em misericórdia”. E essa riquíssima
misericórdia procede do “seu muito amor com que nos amou”. A Bíblia
enfatiza que foi a magnitude desse amor que motivou a nossa salvação (Jo
3.16; 1 Jo 4.9).
2. Vivificados por sua graça. Descrevendo
as dádivas divinamente concedidas aos salvos, o apóstolo enfatiza que o
amor de Deus nos alcançou “estando nós ainda mortos em nossas ofensas”
(2.5a). Isso significa que não éramos merecedores desse amor, mas que,
mesmo assim, Deus “nos vivificou juntamente com Cristo” (2.5b). Essa
frase quer dizer que nascemos de novo (Jo 3.3). Não estamos mais mortos,
pois Cristo nos deu vida outra vez. Fomos vivificados sem mérito algum,
tudo foi efetivado por meio da sua graça, o favor imerecido (2.8,9).
3. Exaltados por sua graça. O
apóstolo dos gentios ainda destaca que o poder de Deus “nos ressuscitou
juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em
Cristo” (2.6). Observe que a palavra “juntamente” indica que Deus
concede ao homem os mesmos benefícios alcançados por Cristo: a
ressurreição, a vida eterna e o galardão nos céus (1 Co 15.3-8,20-25).
Assim, ao conceder tais bênçãos aos homens, Deus mostrou as “abundantes
riquezas da sua graça” (2.7). Desse modo, ratificamos que a salvação e
seus privilégios são conferidos pela imensurável graça de Deus, o favor
divino imerecido.
SÍNTESE DO TÓPICO II
O pecador passou da morte para a vida por meio da graça divina, concedida por obra da misericórdia e do grande amor de Deus.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Somos
salvos pela graça mediante a fé (Ef 2.8). Crer no Filho de Deus leva à
vida eterna (Jo 3.16). Sem fé, não poderemos agradar a Deus (Hb 11.6). A
fé, portanto, é a atitude da nossa dependência confiante e obediente em
Deus e na sua fidelidade. Essa fé caracteriza todo filho de Deus fiel. É
o nosso sangue espiritual (Gl 2.20).
Pode-se
argumentar que a fé salvífica é um dom de Deus, até mesmo dizer que a
presença de anseios religiosos, inclusive entre os pagãos, nada tem a
ver com a presença ou exercício da fé. A maioria dos evangélicos, no
entanto, afirma semelhantes anseios, universalmente presentes,
constituem-se evidências favoráveis à existência de um Deus, a quem se
dirigem. Seriam tais anseios inválidos em si mesmos, à parte da
atividade divina direta?” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática:
Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.370).
III – A SALVAÇÃO NÃO VEM DAS OBRAS
Em Efésios 2.8-10,
Paulo revela que a salvação não depende de obras humanas, “porque pela
graça sois salvos, por meio da fé” (2.8a). Porém, uma vez salvo, o
crente deve praticar as boas obras.
1. Graça como meio de salvação. A
“salvação” inclui a libertação da morte, da escravidão do pecado e da
ira vindoura; ao mesmo tempo permite ao salvo desfrutar de todas as
bênçãos espirituais descritas em Efésios 2.1-7. Portanto, a salvação é o
livramento do poder da maldição do pecado e da morte; e a restituição
do homem à comunhão com Deus, uma bênção concedida a todos que recebem
Cristo como Salvador (Hb 2.15; 2 Co 5.19).
A palavra “graça” é
a tradução do grego charis, que significa “favor imerecido” (Rm 3.24).
Ela mostra que a iniciativa para tornar possível a salvação veio da
parte Deus. É por meio da graça que Deus ativa o livre-arbítrio e
capacita o pecador para que responda com fé ao chamado do Evangelho (Rm
11.6). Todavia, ainda assim o ser humano é livre para escolher entre
dois caminhos (salvação e perdição); sua liberdade não foi eliminada e a
graça pode ser resistida (Jo 7.17).
A “fé” deve ser
considerada como a aceitação da obra realizada por Cristo em nosso
favor. Ela é a resposta à graça de Deus através da qual recebemos a
salvação.
2. Obras como evidência de salvação. Aqui
Paulo usa duas negações para endossar a origem da salvação: a primeira
expressão “isso não vem de vós” (2.8b) trata da salvação pela graça que
provém de Deus; a segunda ratifica que a salvação “não vem das obras”, o
que indica não se tratar de recompensa de algum ato humano. Essas
afirmações excluem a possibilidade de alguém ser salvo por esforço
pessoal.
Como a salvação é
uma realização divina, agora “somos feitura sua, criados em Cristo para
as boas obras” (2.10). Uma transformação ocorreu: Agora em Cristo somos
uma nova criatura e as coisas velhas passaram (2 Co 5.17). Por isso, se
antes o apóstolo usou a metáfora do andar numa perspectiva negativa –
“outrora andávamos fazendo obras más” (2.2-3) – agora, por meio de uma
perspectiva positiva, somos instados a “andar fazendo boas obras”, não
como meio para ser salvo, mas como a evidência da salvação (2.10c).
SÍNTESE DO TÓPICO III
A salvação é graça divina por meio da fé. As obras não são o meio, mas o resultado de nossa salvação.
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
“Nenhuma
medida de esforço próprio ou de devoção religiosa pode realizar o que
está descrito acima. Pelo contrário, ‘pela graça sois salvos por meio da
fé – e isso não vem de vós; é dom de Deus’ (2.8). A ação da graça de
Deus está centrada em seu Filho – sua morte, ressurreição e entronização
no céu como Senhor. Em relação à demonstração de sua graça,
primeiramente vem o chamado ao arrependimento e à fé (At 2.38). Através
dessa convocação, o Espírito Santo torna a pessoa capaz de responder à
graça de Deus através da fé. Aqueles que por meio da fé respondem ao
Senhor Jesus Cristo ‘são vivificados juntamente com Cristo’ (2.5). São
regenerados ou nascidos de novo por obra do Espírito Santo (Jo 3.3-8).
São ressuscitados e assentados com Cristo no reino celestial e
continuam a receber a graça por sua união com Ele, que é a fonte do
poder. Isso os torna capazes de resistir ao pecado e de viver de acordo
com o Espírito Santo (Rm 8.13,14). Os crentes, então, passam a servir a
Deus e praticar ‘boas obras’ (Ef 2.10; cf. 2 Co 9.8) por causa da graça
que opera em cada um (1 Co 15.10)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD,
Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol.2. Rio
de Janeiro: CPAD, 2017, p.413).
CONCLUSÃO
Antes da
regeneração éramos “filhos da ira” e condenados à perdição eterna. Por
ato do amor divino, por meio de sua maravilhosa graça, nos tornamos
“filhos por adoção”. Essa gloriosa salvação nos foi concedida
independente de nossas obras. A partir da salvação passamos a praticar
boas obras que glorificam a Deus nosso Pai (Mt 5.16).
PARA REFLETIR
A respeito de “Libertos do Pecado para uma Nova Vida em Cristo”, responda:
• Segundo a lição, qual o conceito de morto em Efésios 2.1?
O conceito é de morte moral e espiritual provocada pelo pecado, que inevitavelmente separa o homem de Deus (Is 59.2; Tg 1.15).
• Cite as atitudes erradas adotadas na vida passada antes da regeneração do salvo conforme a lição.
“Andastes,
segundo o curso deste mundo” (2.2b); “andastes, […] segundo o príncipe
da potestade do ar” (2.2c); “Andávamos fazendo a vontade da carne e dos
pensamentos” (2.3).
• Após constatar a situação da humanidade “sob a ira de Deus” (2.3), o que Paulo passa a descrever?
Paulo passa a descrever os atos divinos de amor e de misericórdia que alteraram o quadro caótico da raça humana.
• Segundo a lição, o que significa a frase “nos vivificou juntamente com Cristo” (2.5b)?
Essa frase quer dizer que nascemos de novo (Jo 3.3). Não estamos mais mortos, pois Cristo nos deu vida outra vez.
• Que transformação ocorreu nos salvos?
Agora em Cristo somos uma nova criatura e as coisas velhas passaram (2 Co 5.17).

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